A noite, estribo pªnsil do céu, vinda intermitente das suas linhas de fuga nas palmas das minhas mãos, tropeça na sombra nelas calcinada. E duvida daquilo que de si revela: eu, todo, ilegíve...

Pequenos Remoinhos de Lucidez
A noite, estribo pªnsil do céu, vinda intermitente das suas linhas de fuga nas palmas das minhas mãos, tropeça na sombra nelas calcinada. E duvida daquilo que de si revela: eu, todo, ilegível, ficando com frio nos olhos ao fechar por dentro o cérebro. A cama,...
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A noite, estribo pªnsil do céu, vinda intermitente das suas linhas de fuga nas palmas das minhas mãos, tropeça na sombra nelas calcinada. E duvida daquilo que de si revela: eu, todo, ilegível, ficando com frio nos olhos ao fechar por dentro o cérebro. A cama, se me retém na restrita área que preenche, é por precisar de conservar baixado o seu tampo de fome, sob o qual a morte me espera, vigilante, para poder acordar para sempre. Todavia, contrariando-lhe o intuito, apago a ideia que me criou, desisto da ilusão, já não nego o que me despoja, o que à escuta de uma certeza me ausenta dos sons. Sons de lábios, sons de veias, sons de outros corpos, nunca tocados, esquecidos como nódulos de pó em cima de qualquer laje. O que se me extingue no ânimo não vacila nem me repudia, incrusta-se fundo. Deitei-me na cama para ter tempo de morrer sem pressa.
M. C. Ferreira Paulo
Mário Brito Publicações Unipessoal, Lda | 5livros
9789897823770
Por confirmar
2021
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172
21 x 14.5 cm
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